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A Sabedoria do não saber - por Caio Fábio








(Meditar em Tiago 3)


"Quem conhece a sua ignorância mostra que discerniu a mais alta sabedoria.

Quem não enxerga a própria ignorância existe sempre nas profundezas das auto-fantasias.

Aquele, porém, que conhece a ilusão como ilusão não é engolido pela fantasia que pensa ser realidade.

Aquele que reconhece a sua ignorância se torna sábio.

Aquele que se torna sábio cresce na consciência do não-saber, e isto o guarda de toda a ilusão.

Que adianta acabar com grandes ódios, quando ficam amarguras?

Há remédio para isto?

Queres saber a resposta?

É muito simples: Faz a tua parte de todo o teu coração, e vive esquecido de teus direitos.

Quem se deixa conduzir pela consciência límpida, esse vai perdendo a noção de direito, e, assim, em sua alma cresce a paz, e dele emana justiça e bondade.

Deus não tem preferidos entre os homens, mas não há dúvida de que no olhar dos simples se vê o Seu amor.

Há algum sábio entre nós?

Se há, que o mostre mediante espírito de moderação, bondade, misericórdia, e justiça. E que esse ande certo de não levar na alma nenhuma inveja amargurada e espírito faccioso, pois, sobre tais fundamentos existenciais, somente cresce a sabedoria temporal, animal e demoníaca.

A sabedoria que vem do alto é pura, indulgente, misericordiosa, pacifica, tratável, amiga, justa, imparcial, e não fingida.

O verdadeiro sábio não leva amargura, inveja, e espírito de divisão em sua alma. Mas a sábio da morte chama a sua malandragem de inteligência, a sua astúcia de conhecimento, e suas maquinações de precaução.

Na casa do sábio da morte há toda sorte de divisão e de coisas ruins. E sua alma é morada da morte."

                                                                         (Caio Fábio)
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Aquecer o coração de alguém significa aquecer o seu!


Semana passada tivemos uma noite especial em família.

Fui me deitar antes do meu marido e as crianças (Joshua e Victoria) foram pra minha cama para ficarmos juntos.

Aproveitei o nosso momento descontraído e perguntei pra eles quais eram os nossos motivos de gratidão a Deus... desde pequenos detalhes até grandes acontecimentos.

Fomos enumerando e trazendo a memória e eles foram surgindo abundantemente... quantas bênçãos temos recebido das mãos do Pai!

Logo o Rodney chegou e se juntou a nós. Oramos e mandei os dois intrusos para a cama.
Joshua protestou:
"Ah não mãe, nós queremos conversar mais!"
E na certeza de uma recusa minha, ele já tinha a pauta na ponta da língua:
"A gente podia falar, cada um de uma vez, o que é o outro da nossa família tem de bom e de ruim."
Pensou um pouco e reformulou o pedido.
"Não, melhor, a gente fala só das coisas boas mesmo. Vai papai, fala da mamãe..."

E assim, cada um foi falando as qualidades de cada membro da família, ali, deitados mesmo. Foi engraçado, descontraído e muito natural... mas foi ganhando uma proporção importante no coração das crianças principalmente.

Quando chegou na vez do Joshua ouvir sobre ele, eu falei e então o Rodney começou a falar: "Joshua trouxe mais união pra nossa família. Depois que ele chegou, nos ensinou a abraçar mais, a beijar mais, porque ele é muito carinhoso e nos ensinou a ser também!"

Pra nossa total surpresa, ele caiu num choro copioso. Ficamos tão envolvidos naquele momento que não pudemos nos conter e começamos todos a chorar também.
O pai abraçou o Joshua que estava deitado ao seu lado, eu abracei a Vi e continuamos ministrando sobre o coração deles, o quanto eles mudaram nossa história, o quanto são únicos, especiais e a importância que tem pra nós.

Quando finalmente foram se deitar, ficamos ainda impregnados com aquilo que o amor manifesto pode gerar, mesmo que expresso num simples gesto!

Quantas pessoas não estão cancerosas na alma porque lhes falta uma palavra, um abraço, um incentivo, um elogio... confesso que eu preciso aprender a fazer isso muito mais. Sou muito mais predisposta  a reprovar do que aprovar, criticar do que manifestar o que sinto e o quanto sou dependente das pessoas que amo.

No dia a dia, no stress da vida, na busca pelas obrigações, no dever diante de tantas situações, é muito mais fácil um olhar frio, uma testa franzida, uma palavra atravessada, um humor estragado... as vezes, ou muitas vezes,
um sorriso dentro de casa muda a atmosfera...
um elogio sincero...
uma palavra que saia com espontaneidade e verdade lá do fundo da alma,
um abraço forte,
um beijo demorado,
um olhar profundo,
uma oração silenciosa,
uma ira contida,
uma gentileza ofertada,
um silêncio respeitado...

Atitudes simples assim, podem fazer do nosso lar um lugar onde a presença de Deus habita e podemos senti-lo à mesa conosco, mesmo que a refeição familiar seja pão com mortadela e coca-cola!

Que o Senhor nos ajude a aquecermos o coração de quem amamos, para que eles não sintam frio e procurem do lado de fora o cobertor pra alma que deveriam achar do lado de dentro!