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"Leva-me para a Rocha que é alta demais para mim..."


Tudo se transforma por onde quer que passe o Altíssimo...
as situações externas podem permanecer as mesmas, mas já não são determinantes.
O Pai tem todo o poder de transformá-las num piscar de olhos, mas nunca o vi tão atraído por fazer milagres externos tão somente... vejo um Deus apaixonado por alma, indivíduo, coração, cerne, "medula" do espírito, essência... as outras coisas, as demais questões, as situações do "lado de fora", podem esperar, ou até permanecerem iguais, posto que muitas vezes, elas estão a "serviço" dEle a nosso favor! E quando então seu propósito acontece, fazer o "milagre externo" é apenas um detalhe no coração do Pai, e Ele sempre o faz com excelência!

Comigo não foi diferente, você também não será exceção... nos momentos mais extremos, nos vácuos da jornada, somos revestidos por Ele, somos envolvidos por seu manto, somos aquecidos por sua presença, somos possuídos por sua GRAÇA!

GRAÇA que tira os nossos olhos das circunstâncias,

GRAÇA que nos leva a um novo panorama,

GRAÇA que nos conduz à uma perspectiva que jamais alcançaríamos sozinhos...

Recebi um depoimento de uma amiga sobre a época do acidente, suas impressões e confesso sinceramente que relutei se devia postá-lo ou não. Relutei porque não tenho nenhum interesse em me promover, muito menos em demonstrar uma "falsa força" que nunca me coube. Tenho mais do que nunca abominado a mentira em nome de Deus, o olhar altivo daquele que se diz imune a tudo e a todos, e por isso relutei...

Mas se seus olhos forem bons, você conseguirá ver nesse depoimento exatamente o que quero salientar, e aquilo que me fez ver o quanto estamos em seus ombros quando não mais podemos andar por pernas próprias...


Aí está:


"O telefone da minha casa tocou: 'Sônia, vem pra minha casa agora', a Márcia sofreu acidente, e todos do ministério estão vindo pra cá, a gente precisa orar.

Não dava pra acreditar! Não sabíamos detalhes, o Rodney estava em Campos, sabíamos apenas que ela estava na UTI e que os seus pais tinham morrido. 'Somente' o que podíamos fazer era orar. Como se isso fosse pouco! Assim o fizemos e de pronto as nossas igrejas foram acionadas, e as igrejas dos nossos vizinhos, e as igrejas dos amigos dos vizinhos... em poucos instantes havia um verdadeiro exército orando pela vida da Márcia.

Foi muito difícil para todos nós e, além de tudo, não tínhamos notícias. Eu chorava muito e ao mesmo tempo ainda não acreditava que aquilo era real. Preocupava-me com o estado da Márcia e ficava desesperada ao pensar na situação, pois agora ela não tinha mais seus pais, a quem ela tanto amava. Será que ela já sabia da morte deles? Como reagiria? Como seria de agora em diante?

Os dias se passaram e aos poucos conseguíamos notícias, não que isso nos tranquilizasse, pois cada vez era uma 'novidade'. "Ainda está com hemorragia", "ela teve o útero perfurado", "o tanto de água no seu pulmão, deveria ter causado sua morte", "não tem previsão pra sair da UTI"...

Enfim ela chegou a São Paulo e pude visitá-la. Eu, na minha presunção, fui preparada para consolá-la, fiz um treinamento emocional para que quando a visse, não chorasse. Eu não conseguia imaginar a Márcia diferente, no entanto, na porta do hospital o Rodney me mostrou a foto do carro após o acidente. Pensei "meu Deus, se o carro ficou assim, como terá ficado a minha amiga?"

A vontade de vê-la, abraçá-la, era maior do que o medo de toda aquela tragédia. Ao entrar no quarto levei um grande susto (nem sei se já contei isso a ela), mas me deparei com a Márcia saindo do banho, guiada por uma enfermeira. Onde estava a Márcia vaidosa? Cadê aquela amiga cheia de acessórios que eu conheci? rsrs

Eu estava diante diante de uma pessoa completamente despida de qualquer vaidade, dependente das pessoas pra tudo. Costurada! Literalmente costurada, ela brincava que tinha um zíper na barriga... A marca do cinto de segurança parecia uma queimadura profunda. Não mexia uma mão, e o seu outro braço não dobrava, sua barriga estava inchada... Mas no seu rosto nenhuma marca, e o mais impressionante, ela resplandecia em seu semblante uma paz que não é entendível aos olhos humanos, sabe aquela paz que excede todo entendimento? Era essa! (Filipenses 4:7) Fiz um esforço tremendo para não chorar e disfarçar o meu assombro. Passamos o dia todo juntas, conversamos muito. Eu me perguntava se a Márcia realmente sabia da morte dos pais, ou se tinha sido um trauma tão grande que, sei lá, de repente um bloqueio emocional tivesse acontecido, porque tagarelávamos muito, e, tirando a parte da diferença física dela, parecia que estava tudo igual a antes. Contrariando a recomendação do seu marido, o assunto sobre o acidente foi inevitável. Ali ela reviveu o momento do acidente, me contou detalhes, não me poupou dos mais chocantes. E eu, parada, ouvindo, sem ação, por que, afinal o que dizer ou fazer diante de uma tragédia como essa? Eis que então ela solta a seguinte frase: "eu entendo! O Senhor levou os meus pais, Ele recolheu os frutos que estavam maduros, e se Ele me deixou viver é porque tem um grande plano pra minha vida, me sinto privilegiada por estar aqui, porque sei que sou um milagre de Deus!"

Como assim? Ela acabou de perder os pais, está toda remendada numa cama de hospital, ainda sente dores, aos 23 anos, começando seu casamento, não poderá ter filhos, e se sente privilegiada? Muitos poderiam se indagar, não é mesmo? E confesso que eu quase fiz isso, mas antes que eu duvidasse da sobriedade da minha amiga, o Senhor se manifestou novamente através das suas palavras: "em meio á tragédia, Deus faz grandes milagres", disse a Márcia, "e quando olhamos para os milagres, parece que tudo fica mais fácil entende?" Me perguntou como alguém que pergunta o óbvio.

Já estava tarde e eu precisava ir a uma reunião de trabalho. Chovia muito e o trânsito, pra variar, estava caótico. Levei aproximadamente uma hora do hospital até a zona leste. Chorei compulsivamente todo o caminho, me sentia envergonhada, pois por muito menos já havia me desesperado e cobrado providências, como se Deus estivesse esquecido de mim. Chorei porque sabia que não seria fácil pra Márcia conviver com a saudade de seus pais. Chorei porque pensei o quanto seria difícil toda a sua caminhada para recuperar a saúde. Chorei porque vi na Márcia alguém cheio da graça do Senhor, porque só alguém cheio da graça pode reagir dessa maneira diante daquela situação. Naquele momento entendi!

Entendi que a vontade do Senhor é soberana a tudo e a todos. Entendi que estamos cercados por Seus milagres e que às vezes sofremos tantos porque insistimos em olhar somente para a tragédia. E continuei chorando muito, mas agora porque uma alegria imensa tinha invadido meu coração, a sensação é que eu estava plena da presença do Deus vivo, que operou, opera e continuará operando grandes milagres! Fui ao hospital para consolar e saí de lá carregada nos braços do Pai, recebendo o Seu consolo, o Seu amor e Sua graça. Desde então a história da Márcia tem servido pra que eu sempre receba da parte do Pai tudo que Ele tem preparado, independente do meu entendimento, mas sempre tendo essa certeza:

"Não sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar." I Coríntios 10:13


Quando recebi esse depoimento da Sônia, amiga fiel de quase 2 décadas, realmente me emocionei, fiquei profundamente mexida por dentro...
não pelo que ela disse a respeito de mim, mas enquanto eu lia, e revivia aquele dia de céus cerrados e uma chuva abundante quebrando na vidraça do quarto daquele hospital; eu me enxerguei nos ombros do Pai... amparada... protegida... cercada... envolvida... e sabe o que mais me assombra?

Eu jamais fiz por onde merecer tamanho cuidado você me entende?
Quem pode fazer por merecer?
Como bem narrou a Sônia, aquela não era eu, não eu sozinha, jamais... era e é Ele em mim...
...é Ele em você!
Incrível, mas enquanto escrevo no meu quarto, sinto a chuva na janela, ela é tão atípica aqui em Recife... e me remeto a tudo com muita gratidão a Ele mais uma vez... mas estranho...
sinto o meu coração apertado porque conheço muito bem a minha fragilidade e suponho a sua também... sei que em mim não há força pra coisa alguma, só o desejo de prosseguir com Ele, então quero terminar essa postagem numa oração por mim e por você que é pequeno, frágil e necessitado como eu o sou:


Oração consciente de que nada somos...

oração consciente de que só nos seus ombros somos fortes...

a oração do Salmista:


"OUVE, Ó DEUS A MINHA SÚPLICA; ATENDE A MINHA ORAÇÃO.

DESDE OS CONFINS DA TERRA CLAMO POR TI,

NO ABATIMENTO DO MEU CORAÇÃO.

LEVA-ME PARA A ROCHA QUE É ALTA DEMAIS PARA MIM!"

(Salmo 61: 1,2)





1 comentários:

Wania & Mark Honman

Amiga que possamos ser levadas a Rocha que e alta demais pra nos... Deus nos abencoe nessa jornada,, beios love you!

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